Nada funciona da cintura para baixo

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Cadeirantes Life - Nada funciona da cintura para baixo

Quando você vê uma pessoa em uma cadeira de rodas, logo imagina que aquela pessoa não tem vida sexual ativa, pensa que nada da cintura para baixo 'funciona', correto? Errado!

É normal para qualquer pessoa que não seja cadeirante ou não conviva com um, imaginar que nós não desfrutemos de uma vida sexual como a de um 'andante'. Geralmente o povo pensa que tudo gira em cima do movimento do corpo e, quando alguém não pode andar, então também não pode usar o que fica da cintura para baixo. E na maioria dos casos o que acontece é uma falsa impressão de inatividade e monotonia, mas boa parte dos cadeirantes tem habilidades sexuais.

Geralmente em homens o desejo sexual permanece inalterado após uma lesão, e a vida sexual não depende somente de estímulos físicos como também de toque, beijos e carícias. Tudo que envolve o sexo muda, sabores, cheiros e os sons, todo o clima que antecede o ato sexual passa a ser muito mais importante. A ereção passa a depender do nível da lesão e se é ou não completa. Então muitas vezes os estímulos visuais passam a ser muito mais importantes já que nem sempre o corpo responde de imediato ao toque. Existe uma cultura muito machista no Brasil que sinônimo de masculinidade e virilidade é ter pênis ereto, como o tempo se descobre que para ser um homem completo é muito mais do que simplesmente estar com o 'pau duro'.


Cadeirantes Life - Nada funciona da cintura para baixo

A ejaculação é um processo fisiológico e o orgasmo é um processo sensitivo, portanto, pode haver orgasmo sem ejaculação e ejaculação sem orgasmo. “Ocorrem quase ao mesmo tempo, mas não são a mesma coisa”, garante a psicoterapeuta Magda Gazzi. A lesão afeta todo o corpo, inclusive a função sexual. Assim é necessário inventar e descobrir novas formas de amar, com muito carinho e cumplicidade tudo se resolve. “O toque, os beijos, o calor do corpo, os lábios, a língua e as carícias tornaram-se ferramentas importantes.

E nas meninas?

Várias mulheres com lesão permanecem férteis e capazes de gerar um bebê. A menstruação geralmente pára logo após a lesão, mas o ciclo menstrual volta ao normal em no máximo um ano. Depois desse período a mulher pode engravidar, desde que realize o acompanhamento médico e se atente a alguns pequenos cuidados. O risco de infecção urinária, por exemplo, é maior. Alguns estudos na área mostram que elas demoram mais tempo para alcançar o orgasmo, mas ainda que ele seja uma sensação de prazer intenso, a satisfação sexual em si não requer orgasmo.  “Nas mulheres, a resposta sexual funciona da mesma maneira que nos homens, porém, como não tem ereção declarada, fica “mais fácil” manter o relacionamento sexual. Porém tudo depende muito do nível da lesão, tanto nos homens quanto nas mulheres”.


Nada funciona da cintura para baixo

Além de todas as técnicas físicas para dar e sentir prazer existem ainda as evoluções da ciência, que possibilitam uma maior qualidade para o ato sexual, por exemplo, as pílulas a base de sildenafila, como Viagra, Levitra e outros usados no tratamento da disfunção erétil no homem. “O medicamento melhora o que já existe, há necessidade de existir excitação, desejo e um esboço de ereção para que tenha o efeito esperado. Ele não provoca essas sensações, isso é da pessoa, da situação”, explica Rodrigo.“Sem o remédio dá pra levar, mas com ele a qualidade da transa é outra”, afirma o estudante de Letras, João Manuel Ardigo, 37 anos, autor de dois livros que contam sua trajetória de recuperação após ser atropelado por um caminhão há 11 anos.

O prazer que vem do sexo acontece de muitas maneiras diferentes. A experiência de novas táticas associadas a boa comunicação entre os parceiros são as chaves para uma vida sexual satisfatória, em todos os casos. É possível viver bem numa cadeira de rodas e com qualidade, nem tudo é 100% bom ou 100% ruim. “Quando me perguntam como é estar na cadeira, digo que eu gosto e eu tenho de gostar porque poderia estar pior. Muita gente fica pasma pensando que sou louco, mas na verdade é ela que me leva aos lugares. Penso na cadeira de rodas como um objeto que traz benefício e não como muitos enxergam como algo ruim e assustador”.

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